domingo, 22 de outubro de 2006

"Berços da Vida" no Vale do Ribeira

Aproveitamos o feriadão de Nossa Senhora para trilharmos alguns caminhos famosos, ornitologicamente falando, do Vale do Ribeira, até o PETAR. Por ser época de reprodução, tivemos oportunidade de ver e documentar algumas interessantes cenas dos "berços da vida".

Um congestionamento na Régis Bittencourt nos fez optar por uma parada para o almoço num clube de campo às margens da represa do França, onde pudemos presenciar, numa feliz casualidade, a eclosão de um filhote de chopim, Molothrus bonariensis, num ninho de tico-tico, Zonotrichia capensis.











Ninho de tico-tico numa touceira de citronela. No primeiro plano, um ovo do tico que, certamente, a chopinha jogou para fora.












A tica esperou pacientemente, a pouca distância de nós, talvez com a
mesma paciência com que espera seu ninho ser desocupado pela chopinha, que terminássemos nosso trabalho cinematográfico.











O chopinzinho esforçando-se para afastar as duas partes da casca do ovo. Quando ali voltamos, uns 30 minutos após, a tica já havia retirado do ninhoessas cascas de ovo.

Nesse mesmo local pudemos presenciar outros dois interessantes "berços da vida". Na terra praticamente nua da margem da represa, apenas recoberta com alguns gravetos e folhas secas, um ninho de quero-quero, Vanellus chilensis, com quatro ovos, filmado e fotografado sob os
enérgicos protestos de seus legítimos donos.




















O Sr. (ou Sra.?) quero-quero, ameaçando o fotógrafo com seus esporões.

E, sobre uma parede da entrada do sanitário de um galpão usado como salão de festas, o ninho do sabiá-barranco, Turdus leucomelas. Na base do ninho, onde a ave usou alguns materiais vegetais ainda vivos, umas plantinhas ainda vicejavam.










Na estrada de Juquiá a Sete-Barras, resolvemos entrar por uma estrada de terra colateral, no sentido da serra, por pura curiosidade e foi muito providencial essa escolha, pois fomos muito bem recebidos pelo Sr. José, proprietário de um laticínio de leite de búfalas. Na varanda da casa dele pudemos observar um ninho do andorinhão-tesoura, Panyptila cayennesis. Vimos a ave entrando e saindo do ninho, e voando em direção à mata, um tanto distante dali. Segundo o Sr. José a ave reutilizava o ninho anos seguidos, fazendo, quando necessária, uma pequena reforma em sua borda inferior.












Neste mesmo teto de varanda, uma corruíra, Troglodytes musculus, fez o ninho sobre uma luminária. Por conta disto, disse-nos o Sr. José, essa lâmpada teve que permanecer sem ser acesa. Não foi também a primeira vez que isso aconteceu e da outra vez o Sr. José aguardou a ave abandonar o ninho para fazer uma boa limpeza na luminária antes de acender a lâmpada.























A corruíra, com um aracnídeo no bico, para trazer para a prole.

Também nessa localidade, observamos uma inusitada concentração de sete espécies de

andorinhas: andorinha-do-rio, Tachycineta albiventer, andorinha-do-campo, Progne tapera, andorinha-doméstica-grande, Progne chalybea, andorinha-pequena-de-casa, Pygochelidon cyanoleuca, andorinha-serradora, Stelgidopteryx ruficollis, andorinha-de-bando, Hirudo rustica e andorinha-de-dorso-acanelado, Petrochelidon pyrrhonota! Será um novo recorde?

Logo no início da estrada Sete Barras - Eldorado, uma parada na beira de um banhado e uma grata surpresa: alguns frangos-d'água-azuis, Porphyrio martinica, de extrema mansidão, vinham à beira da água, no quintal de uma casa, comer restos de comida ali deixados para eles pelos moradores. Um desses chegou a seguir o morador, quando esse foi ao local com a vasilha de
comida.











Mais à frente, nova parada para observar e fotografar o tiê-tinga, Cissopis leverianus, elegantemente pousado num pendão.










No PETAR visitamos a Caverna do Diabo, onde nosso interessado guia nos revelou que no final do ano ali entram andorinhões (provavelmente o andorinhão-de-coleira, Streptoprocne zonaris), para nidificar. Também nos ensinou alguns nomes locais para as aves, como o "pretão"
atribuído ao ferro-velho, Euphonia pectoralis.












Juntos com nosso guia, numa dos salões da caverna.

No entorno da entrada da Caverna do Diabo ainda vimos, entre outras, o capitão-de-saíra, Attila rufus e o surucuá-grande-de-barriga-amarela, Trogon viridis.






















Visitamos também o núcleo Santana do PETAR, já na subida da serra, onde, no último minuto, ainda paramos para assistir a um belo recital da araponga, Procnias nudicollis, sem dúvida uma fortíssima candidata ao título de "Voz do PETAR".












Fotos: Gilberto Lima

5 comentários:

  1. Que belo passeio!
    adorei o "Berços da Vida"
    Parabéns pelo post completo e criativo

    ResponderExcluir
  2. Isso que é passeio!!!
    A vida está aí , a espera de quem sabe aproveitar...
    Parabéns pelo relato criativo e dinâmico

    ResponderExcluir
  3. Parabéns, Luiz Fernando!
    Escreve muito bem, e nos deixa com água na boca com seus relatos...
    Um abraço!!

    Luciana

    ResponderExcluir
  4. Que legal ,muito bonito,eu tambem tenho um Blog " Curiosidades do Vale do Ribeira e suas Cidades" que fala sobre a natureza e sobre tudo do Vale do Ribeira ,grande abraço ,Camilo,Cidade de Registro-sp.

    ResponderExcluir